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Rondônia: Cheia do Rio Madeira aumenta em 15% no preço da carne

Publicado Afotorm - 23/04/2014


Foto: Assessoria.

"Os consumidores já sentem a diferença no orçamento mensal...."

A cheia do Rio Madeira passou a ter efeitos mais fortes para a população do Amazonas, afetando o abastecimento de carne e causando o encarecimento do produto em 15% no ano, segundo frigoríficos e açougues. O consumidor se depara com mais um reajuste em alimentação e sente o orçamento pesar.
Em pesquisa feita em açougues e frigoríficos de Manaus, o Portal D24AM encontrou vários tipos de carne com preço mais caro. As partes traseiras ou de cortes nobres foram as que mais subiram.
O patinho, usado para fazer o tradicional bife, saiu de R$ 15,50 em janeiro para os atuais R$ 17,50. O quilo da picanha custava R$ 18,50 e hoje é vendido a R$ 22, enquanto que a alcatra tinha preço de R$ 16,50 e agora está na faixa de R$ 19,80. O filé teve um dos maiores aumentos, saindo de R$ 19,50 para R$ 24, o quilo.
O motivo para o reajuste é a cheia do Rio Madeira. Pelo menos seis frigoríficos da região norte de Rondônia e do Acre estão com as atividades paralisadas devido à alta do rio, afirma o proprietário do distribuidor Vitello, Ricardo Garcia. "Os frigoríficos dessa região não conseguem retirar o boi da fazenda, estão parados por falta de matéria prima e eram eles que abasteciam a maior parte da cidade", explicou. Segundo o empresário, 90% das carnes consumidas no Amazonas são de fora do Estado.
A produção dos seis estabelecimentos equivale a 3 mil bois por dia, o que representa 750 toneladas de carne que deixam de ser produzidas diariamente. O empresário ressalta que a carne já aumentou 15% até final de março e que os frigoríficos locais estão buscando alternativas no sul de Rondônia, Mato Grosso, Goiás e em Belém, onde os fretes acabam saindo de 9% a 11% mais caros.
O proprietário da Casa da Carne JP, Leandro Hortêncio, também observa que os preços subiram 15% no ano devido à cheia, e o consumidor enfrenta a falta de alguns tipos de carne, como lombinho e fraudinha, usados para fazer o 'churrasquinho'. Outros subprodutos como cupim, língua, rabada, vísceras em geral e fraudão também estão em falta. "Quase todo dia modifica o preço do boi. O lombinho que era R$ 5, R$ 6, hoje está R$ 12", disse.
Carretas paradas
Apenas um porto está operando em Porto Velho (RO), o que tem gerado uma fila de caminhões, segundo Ricardo Garcia. A carga, que demorava em média cinco dias para chegar a Manaus, hoje leva até 11 dias. "Esses cinco a seis dias de vácuo sem chegar mercadoria vai representar quase mil toneladas de produtos que deixam de estar dentro da cidade", afirma Garcia.
Demora e preço instável e elevado são os motivos para a redução na encomenda de carnes. Na Vitello, quatro a cinco carretas chegavam a Manaus com 27 toneladas de carne por carreta, semanalmente. Agora, apenas uma chega por semana.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, confirmou que a cheia do Madeira tem prejudicado a logística do transporte de carne para o Estado. A estiagem em áreas do Centro-Oeste também influencia no preço da carne bovina.
Consumidor atesta aperto no orçamento
Os consumidores já sentem a diferença no orçamento mensal. Rômulo Moreira conta que os preços estão pesando. "Temos um restaurante e está ficando mais caro pra gente também", disse. Moreira procurou vários tipos de carne e não encontrou nos mercados. Alcatra, coxão duro e picanha são os mais caros. Para a funcionária pública Flávia Guimarães, está caro para quem ganha um salário mínimo.
O funcionário público Cláudio Ricardo conta que achou o preço da carne de 10% a 15% mais caro. A alcatra, uma das preferidas, é difícil encontrar. As alternativas são peixe e carnes mais simples. "O problema é que o peixe está mais caro por causa da Semana Santa", disse.
As carnes dianteiras também estão até 21,53% mais caras. O quilo da agulha saiu de R$ 6,50 para R$ 7,90 no decorrer de 2014. Já a costela custava R$ 4,50 e hoje está na faixa de R$ 5. A pá antes era vendida a R$ 8,50, mas o valor subiu para R$ 9,50. Além de procurar as carnes menos nobres, com osso, a população recorre ao frango.
Produção do rebanho no AM é insuficiente para a demanda
A produção de carne do rebanno de corte das fazendas do Amazonas poderia ser uma alternativa diante da falta do produto com o problema da cheia que afeta Rondônia e Acre. Mas a atividade pecuária no Estado ainda é incipiente para atender à demanda interna.
Com 1,44 milhão de cabeças de gado, o rebanho do Amazonas não é capaz de abastecer o Estado, segundo a Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas (Adaf). "A produção local não chega a abastecer nem 20% do que é consumido no Estado", avalia o chefe do Departamento Técnico da agência, Sandoval Pinheiro.
Na Região Metropolitana de Manaus, existem cerca de seis abatedouros em Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, além da capital. A produção desses locais abastece uma parte pequena da região. Os demais matadouros espalhados pelo Estado atendem aos próprios municípios do interior. Já uma boa parte do gado que se concentra em Boca do Acre sai do Amazonas. Segundo a Faea, 75% das carnes consumidas no Estado são importadas de outros Estados.
Para Leandro Hortêncio, a carne local tem sido importante no momento de falta do produto importado. "O que está segurando é a carne regional", disse. O volume de carne importada no mercadinho, que normalmente fica na faixa de 50%, hoje está em apenas 15%. Já o proprietário da Vitello ressalta que a produção local não consegue abastecer nem 10% da capital.
A produção de carnes no Estado passa pelo crivo dos ambientalistas, pois a atividade implica em derrubada da floresta nativa para abrigar o rebanho. Já os pequenos produtores que criam os animais próximos da várzea também enfrentam as dificuldades com o regime das águas.
Autor: D 24

 

 





 

 



 

Fonte: www.inforondonia.com.br