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Nova espécie de macaco é identificada entre Amazonas e Mato Grosso

Publicado Afotorm - 17/03/2015

Estudos sobre o macaco zogue-zogue rabo de fogo iniciaram em 2011 e descrição da espécie foi concluída recentemen

Foto: WWF

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Zogue-zogue rabo de fogo registrado durante expedição. Foto: Adriano Gambarini/WWF

MANAUS – Uma nova espécie de primata do gênero Callicebus foi identificada na Amazônia Brasileira. O Callicebus miltoni, apelidado de rabo-de-fogo, vive em uma área entre os estados do Mato Grosso e o Amazonas. O animal chamou a atenção da ciência pela primeira vez em meados de 2011, mas só recentemente a sua descrição foi concluída. A existência da nova espécie já vem a público sob o signo da vulnerabilidade, pois a área de ocorrência do zogue-zogue sofre pressão por desmatamento e avanço da pecuária.

A identificação da nova espécie é uma importante contribuição para o conhecimento científico da biodiversidade amazônica. "A falta de conhecimento é uma ameaça tão grande quanto a perda de habitat, a caça e outros fatores. Esse é um animal recém-descoberto que já podemos considerar em situação de vulnerabilidade. A espécie ocorre em uma área de ávido desmatamento com o avanço da agropecuária na região do Mato Grosso e Rondônia", afirma o pesquisador do Instituto Mamirauá, Felipe Ennes,

O gênero Callicebus é um dos mais plurais entre primatas neotropicais e possui 31 espécies reconhecidas cientificamente. Os macacos deste tipo são popularmente conhecidos como zogue-zogue. Segundo Ennes, o primata recém-catalogado difere das demais espécies amazônicas do gênero 'por uma combinação exclusiva de caracteres'. "O zogue-zogue rabo de fogo é distinguido por uma faixa clara na testa, costeletas e garganta ocre-escuras, partes superiores do tronco e flancos grisalho-escuras, e cauda uniformemente laranja", descreve em artigo publicado na revista científica Papéis Avulsos de Zoologia, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP).

A publicação é um trabalho conjunto dos pesquisadores Felipe Ennes, do Instituto Mamirauá, Júlio César Dalponte, do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros) e de José de Souza e Silva Júnior, coordenador de Zoologia do Museu Paraense Emílio Goeldi.

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Grupo zogue-zogue rabo de fogo observa com curiosidade os pesquisadores da expedição. Foto: Adriano Gambarini/WWF

A espécie vive em grupos familiares compostos por um casal monogâmico e suas crias, se alimentam de frutos e costumam se sentar juntos em galhos. A organização não-governamental World Wildlife Fund Brazil (WWF Brazil) participou de uma das expedições em busca do macaco e fez registros em vídeo da espécie.

Localização

O Callicebus miltoni é encontrado na confluência dos rios Roosevelt-Aripuanã e Guariba-Aripuanã, no Sul do Amazonas. A região ainda é pouco explorada, mas não distante dali, há municípios que sofrem com desmatamento e grilagem de terras. "Os rios são importantes barreiras para a dispersão dos zogue-zogues da Amazônia. Este é um dos fatores que interfere na diversidade do número de espécies desse gênero", explica Ennes. "Esse número tende a aumentar tanto devido às novas descobertas, quanto às revisões taxonômicas em andamento que consideram parâmetros morfológicos e moleculares", ressalta.

 

 

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Zogue-zogue rabo de fogo com filhote. Foto: Adriano Gambarini/WWF

O esforço para a descrição do zogue-zogue Rabo de fogo iniciou em 2011, quando Júlio Dalponte realizou a expedição Guariba-Roosevelt. O grupo de pesquisadores percorria extensas áreas ao longo do rio Roosevelt quando se deparou com a espécie. Na época, um espécime coletado para fins científicos comparativos foi analisado no Museu Paraense Emílio Goeldi. O nome Callicebus miltoni, foi dado em homenagem ao pesquisador Milton Thiago de Melo, que ajudou na descrição do macaco.

A identificação da nova espécie foi possível em razão da parceria entre o Instituto Mamirauá e as instituições: World Wildlife Fund Brazil, Conservation Leadership Programme, Conservation International, Idea Wild, International Primatological Society, Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e o Museu Paraense Emílio Goeldi.

 


 

 

 

Por Izabel Santos

Fonte: Portalamazonia.com