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A arqueóloga que batalha para preservar os vestígios dos primeiros homens das Américas - Parte 3

Publicado Afotorm - 05/04/2016

Histórias entrelaçadas

Foto: FUNDHAM

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Descobertas de Niède Guidon ajudaram a traçar rota do homem nas Américas

Niède Guidon

Sua história começou a se confundir com a do sertão piauiense no início da década de 1970, quando Niède deu início, acompanhada por um grupo de colegas franceses e brasileiros, a uma série de expedições arqueológicas a São Raimundo Nonato. Acabou se encantando profundamente com os tesouros naturais e culturais que encontrou.
Foi por iniciativa dela que, em 1978, o governo brasileiro criou o Parque Nacional da Serra da Capivara. E também foi por meio da paulista que as descobertas no sítio arqueológico do Piauí ganharam destaque internacional, em 1986, ao serem publicadas na prestigiada revista científica britânica Nature.
O estudo provocou controvérsia ao sustentar o achado de artefatos humanos de mais de 30 mil anos. Até então, a data mais aceita para o início da presença do homem nas Américas era bem mais recente. Mas, a despeito dessa polêmica, a arqueóloga conseguiu estabelecer que a área havia sido ocupada por paleoíndios e caçadores-coletores antes do que se imaginava.
Cedida pelo governo francês, Niède se mudou definitivamente para São Raimundo Nonato em 1991 para administrar o parque, que acabara de ser declarado Patrimônio Cultural da Unesco. De lá para cá, fez centenas de descobertas e criou o Museu do Homem Americano.

Ela também apoiou diversas iniciativas para a criação de centros comunitários e foi uma das vozes mais ativas na tentativa de transformar a região em polo turístico, com a construção de hotéis e um aeroporto internacional para viabilizar não só o parque, mas as comunidades carentes locais.
"A região tem tudo para atrair milhares de turistas, menos um aeroporto e um hotel", diz ela. "Hoje, recebemos apenas de 25 mil a 30 mil pessoas por ano. É muito pouco."
De Petrolina, onde há um aeroporto com ligação para Brasília, Recife e São Paulo, são 350 quilômetros de carro até São Raimundo Nonato. Quando chove, a estrada fica muito ruim, tornando a viagem ainda mais longa.
"A maioria dos turistas estrangeiros que se interessa por esse tipo de atração é de pessoas mais idosas, o que torna tudo ainda mais complicado", explica a arqueóloga.
Um aeroporto local, previsto para ser inaugurado em 1997, só foi aberto no ano passado, mas ainda funciona de forma inconstante.

 

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Grupo franco-brasileiro iniciou incursões arqueológicas pela região na década de 1970

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Roberta Jansen
Do Rio de Janeiro para a BBC Brasil

Fonte: BBC Brasil