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Estudo do Inpa mostra que povos antigos moldaram a flora da floresta amazônica

Publicado Afotorm - 09/03/2017

Na avaliação do Inpa, resultado da pesquisa publicada, na última sexta-feira(3/03), na revista Science derruba a ideia de que as florestas amazônicas estavam intocadas pelo homem

Foto: Divulgação/Inpa

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Costumes dos nossos antepassados foram decisivos para a moldagem do que hoje é a Amazônia.

Manaus - Estudo liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) mostra que há uma relação entre a ocupação humana passada na Amazônia e a presença de plantas domesticadas na floresta. Para o órgão, o resultado da pesquisa publicada, na última sexta-feira (3), na revista Science derruba a ideia de que as florestas amazônicas estavam intocadas pelo homem.

O estudo contou com a participação de um grupo internacional e interdisciplinar de 152 cientistas, incluindo 53 brasileiros, dentre eles 30 colaboradores do Inpa e um do Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá. Tem como autora principal Carolina Levis, doutoranda pelo Inpa, no Amazonas-Brasil, e pela Wageningen University and Research Center, da Holanda.

"O que fizemos foi cruzar os dados botânicos de parcelas de inventários florestais com dados arqueológicos", explicou Levis. "Por alto, são pelo menos 80 anos de pesquisas com centenas de pessoas trabalhando para conseguir coletar essas informações. Foi a primeira vez na escala da Amazônia que juntamos esses dados", acrescentou.

A equipe de cientistas chegou à descoberta ao sobrepor dados de mais de mil inventários florestais da Rede de Diversidade das Árvores da Amazônia (ATDN) com o mapa da localização de mais de 3 mil sítios arqueológicos espalhados por toda a bacia amazônica. Ao comparar a composição de espécies em florestas situadas a diferentes distâncias de sítios arqueológicos, as análises geraram a primeira imagem do grau de influência dos povos pré-colombianos na biodiversidade amazônica atual.

Os primeiros estudos tiveram início em 2010, nas regiões dos rios Purus e Madeira, durante o mestrado de Levis, orientada pelos pesquisadores do Inpa Flavia Costa e Charles Clement, que começaram a trabalhar para entender o efeito humano passado na floresta Amazônica.

A pesquisa atual focou em 85 espécies de árvores, que foram domesticadas em algum grau pelos povos pré-colombianos, dentre elas cacau, castanha-do-Brasil, açaí, bacaba, patauá, mapati, seringueira, pupunha e muitas outras espécies que são fonte de alimentação, abrigo ou outros usos.

Os pesquisadores descobriram que em toda a bacia amazônica essas espécies eram cinco vezes mais comuns em inventários florestais do que as espécies não domesticadas. As maiores abundância e diversidade de espécies domesticadas foram encontradas em florestas próximas a sítios arqueológicos.

Levis explica que o sudoeste da Amazônia (Bolívia e Rondônia/Brasil) foi altamente transformado e habitado e é onde há uma densa concentração de plantas domesticadas. "Já no Escudo das Guianas não encontramos essa mesma relação dos sítios arqueológicos com as plantas e não sabemos o motivo", destacou. "Mas mesmo assim com alguns vazios de amostragem, conseguimos relacionar dados florísticos e arqueológicos".

Para o estudo, foram utilizadas informações do banco de dados liderado pelo pesquisador Eduardo Kazuo Tamanaha, do Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá. De acordo com o arqueólogo, que é coautor na publicação, os resultados ilustram a força da interdisciplinaridade e importância de correlação de dados científicos para o conhecimento da região amazônica.

"Pensando a longo prazo, a grande contribuição do trabalho é estreitar os laços entre as duas áreas, botânica e arqueologia. Demonstra a importância de cruzar e discutir estes dados, de diferentes pesquisadores, e de começar a propor hipóteses juntos", comentou o arqueólogo.

Para o pesquisador da Naturalis Biodiversity Center e coordenador da ATDN, Hans ter Steege, a descoberta promete esquentar um debate de longa data entre cientistas sobre o grau de influência da história humana milenar da bacia amazônica na biodiversidade atual. "E desafia a visão que muitos de nós, ecólogos, tínhamos e ainda temos dessa imensa floresta", disse.

 

 

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Maior diversidade de espécies domesticadas foram encontradas em florestas próximas a sítios arqueológicos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

Fonte: http://new.d24am.com